Jornada da COAPA capacita famílias para garantir a longevidade do agronegócio
- Artigo Principal
No campo, colher bons resultados exige mais do que plantar bem: é preciso garantir o futuro. Por isso, aliar uma gestão moderna a uma sucessão familiar planejada assegura o legado das propriedades e blinda os negócios rurais contra crises.
Atento a essa realidade, o Comitê Feminino da COAPA realizou, de agosto a outubro, a Jornada de Gestão e Sucessão no Agronegócio, iniciativa voltada à capacitação de cooperados, cooperadas e seus familiares.
Com apoio da diretoria da Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (COAPA) e do Sistema OCB/Sescoop-TO, o treinamento foi ministrado por consultores da Safras & Cifras.
A jornada contou com 31 participantes e teve duração total de 15 horas, com conteúdos estratégicos e práticos divididos em três módulos: Sucessão Familiar; Governança e Reforma Tributária; e Gestão Econômica e Financeira.
O objetivo foi proporcionar conhecimentos para a profissionalização da gestão das propriedades rurais dos participantes. A iniciativa buscou contribuir para a continuidade dos negócios por meio de uma transição geracional planejada, harmoniosa e segura, garantindo segurança jurídica e fiscal perante as mudanças na legislação e na Reforma Tributária, além de promover eficiência e rentabilidade com base em indicadores financeiros sólidos e governança estruturada.
Trabalho em família
Na propriedade do cooperado Edmar Corrêa de Oliveira, a gestão já é compartilhada: sua esposa e os três filhos desempenham funções estratégicas no dia a dia do empreendimento rural. O produtor destaca a importância de conhecer os critérios para a tomada de decisões e planejar o futuro do negócio, temas abordados na Jornada. “Acho interessante poder determinar quem decide e quando decide enquanto o proprietário ainda está vivo. É fundamental definir quem e quando se decide algo enquanto o fundador está vivo. Com regras transparentes e justas, é possível evitar conflitos e assegurar a continuidade da empresa”, pontuou.
Melhoria de processos
Para a coordenadora do Comitê Feminino, Juliana Lima Maranhão Sá, os objetivos do treinamento foram plenamente atingidos, sobretudo pela expressiva participação dos cooperados e de suas famílias. Eles demonstraram forte interesse em aprimorar processos internos, evitar perdas, aproveitar oportunidades e aumentar a rentabilidade de suas propriedades.
“Até pouco tempo, essas ferramentas não eram utilizadas por produtores rurais, mas fica cada vez mais clara a necessidade de controle sobre o que cabe ao produtor. Houve muita troca de experiências e acredito que os participantes compreenderam a real necessidade de colocar essas estratégias em prática para garantir a longevidade da empresa rural”, afirmou Juliana.
O presidente da COAPA, Ricardo Khouri, reforçou a relevância dos tópicos debatidos na jornada, com destaque para a sucessão familiar: “A partir do momento em que a família participa de um processo estruturado de sucessão, ela passa a utilizar diversas ferramentas de gestão, sente-se mais segura e ganha a certeza de que a transição será feita da maneira correta. Assim, matriarcas e patriarcas asseguram a perenidade do negócio e transmitem o legado do seu trabalho às próximas gerações.”
O dirigente também elogiou a atuação do grupo de mulheres cooperativistas, criado em 2023. “O Comitê Feminino, hoje plenamente estruturado em nossa cooperativa, desenvolve um trabalho fantástico. Com sensibilidade, as mulheres abordam temas que até há pouco eram verdadeiros tabus. Especificamente sobre sucessão, elas alcançam uma mobilização superior à dos homens. Portanto, as ações do Comitê Feminino estão diretamente ligadas à eficácia dos processos, não só de sucessão, mas de qualquer iniciativa que leve informação de qualidade aos cooperados e cooperadas”, finalizou.